Oi, senhor Ninguém. Dessa vez, eu nem sei por onde começar.
Eu perdi uma parte de mim. Uma parte muito grande e muito importante do meu coração. Eu me sinto despedaçada. Dilacerada. Destruída. E o pior é que eu acho que não vou conseguir me sentir inteira, nunca mais. A dor é tanta, que eu não consigo nem escrever aqui o que aconteceu. Mas eu preciso desabafar com o senhor
Eu perdi a Lilly. Ela se foi, no dia dois de fevereiro de dois mil e vinte e quatro, para sempre. Só de falar isso, as palavras me escapam e as lágrimas também. Me dói tanto, que ainda não consegui aceitar. Não parece real, parece um pesadelo — desses que tenho por causa da medicação que tomo — que está demorando para acabar. Eu só queria acordar e ver que tudo não passou realmente de um pesadelo, que ela está aqui comigo e que está tudo bem. Mas não, não está tudo bem. Nada está bem. Desde que ela se foi, eu sinto que um pedaço meu se foi junto dela. Ela se foi e deixou um vazio imenso dentro de mim. A saudade só aumenta e se torna mais e mais dolorosa, pois a certeza de que não vou vê-la a cada dia que passa se torna mais real e isso me destrói. Não consigo acreditar que nunca mais terei ela em meus braços, nunca mais irei olhar para ela e vê-la olhando para mim com tanto amor e ternura e nunca mais me sentirei completa. Ela é a minha metade, a minha alma gêmea. Sem ela, me sinto sozinha nesse mundo. Sem ela, não sei se tenho forças para continuar. Tudo era por ela e agora tudo parece vazio e sem motivo, sem razão.
Amanhã, dois de maio de dois mil e vinte e quatro, fazem três meses que ela se foi. Parece uma eternidade sem ela, mas ao mesmo tempo, parece tão pouco. Todos os sentimentos — bons e ruins — permanecem aqui. A dor permanece intacta, nada mudou. As pessoas dizem: “você vai ficar bem, a dor vai melhorar é só vão ficar as boas lembranças”. Mas acho eu, que quem diz isso nunca sentiu a dor da perda de alguém que se ama. Não ficamos bem, apenas precisamos aceitar, já que não há o que ser feito. A dor não melhora, mas aprendemos a conviver com ela. Não ficam só as boas lembranças, as ruins também e tá tudo bem. Porque a vida não é feita só de boas lembranças e eu quero lembrar ela por inteiro: em todos os momentos, os bons e os ruins — por mais doloroso que seja. Eu quero lembrar de tudo e nunca quero esquecer, nem um segundo sequer. Quero rever todas as fotos, todos os vídeos, lembrar de cada momento. Quero que ela viva em minhas lembranças, em meu coração, no meu amor, na minha dor e na minha saudade, que são infinitos. Ela se foi no estado físico, mas dentro de mim ela permanece. O amor que sinto por ela, é maior e além de qualquer coisa. Ela vive em mim e enquanto eu viver, ela viverá comigo. Até o meu último suspiro.
Amanhã irei postar uma mensagem para ela aqui. Eu sei que ela não pode ler — nem se ainda estivesse aqui, porque afinal, ela é uma gata —, mas eu quero acreditar que de onde ela estiver, ela vai receber a minha mensagem. Afinal, somos metades, alma gêmeas.
Obrigada mais uma vez por me ler, senhor Ninguém.

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