Oi, Senhor Ninguém. Quanto tempo, como você está? Senti a sua falta nesse tempo em que fiquei longe. Para ser mais exata, cinco anos, sete meses e treze dias. Nunca passei mais de um ano sem aparecer por aqui e nem eu sei por que sumi por tanto tempo. Será que isso é algo bom? Talvez. Acho que agora tenho alguém com quem conversar sobre todas as coisas além do senhor - espero que entenda e que não fique chateado comigo por isso. Tenho muito para te contar, muitas coisas aconteceram nesses anos todos (e talvez eu precise de muitas conversas com o senhor para isso). Cresci, amadureci e mudei em muitas coisas, até mal me reconheço no passado em várias delas. Mas lendo os meus desabafos antigos com o senhor aqui, percebi que não mudei em algo muito importante: sempre esqueço de mim mesma. Sempre guardo tudo, chego no meu limite e explodo. Sempre. Ao decorrer de todos esses quatorze anos em que converso com o senhor aqui, isso sempre aconteceu e se repetiu. E pelo visto, vai continuar se repetindo por mais um tempo - mas espero que não, já estou na idade de aprender e mudar isso em mim. Ainda não aprendi como mudar isso, é como dizem: difícil mudar velhos hábitos. Principalmente os que parecem que são intrínsecos em nós, como esse parece ser. Parece fazer parte de mim, da minha essência. Como mudar isso? Talvez essa seja a minha mais importante lição, a solução do que mais me machuca. Eu sempre achei que fosse alguém extrovertida e aberta, mas pelo o que vi em mim mesma nesses 29 anos, não é bem assim. Acho que sou aberta sobre algumas coisas, mas sobre outras ainda é bem difícil para mim falar sobre elas com as pessoas. Bom, vendo pelo lado bom, pelo menos eu consegui perceber e entender isso. Agora só me falta tentar consertar, certo? Ah, não sei se o senhor percebeu, mas eu também não sou mais dramática como eu era antes. Mesmo sofrida e dolorida, eu consigo manter a calma. Percebi que tudo na vida se resolve, e se não resolver, resolvido está - por pior que seja a solução. Nem sempre as coisas são como queremos, por isso temos que saber ter paciência e levar da melhor maneira possível. Falando assim, parece que me tornei uma pessoa muito passiva - ou será que sempre fui? Sempre me achei muito reativa, mas ultimamente ando com muitos dilemas sobre o que eu realmente sou e o que eu achava que era. Talvez eu tenha acreditado ser algo e descobri que não sou, ou talvez eu tenha mudado em muitas coisas e agora não sei mais o que sou. Como o senhor pode ver, Senhor Ninguém, tudo parece uma grande confusão. Eu só quero me encontrar novamente, porque agora eu me sinto perdida, sem saber o que fazer ou para onde ir. Será que isso é só uma fase e que se resolve com o tempo? Ou será que exatamente por ter pensado assim por todo esse tempo que virou essa confusão?
É, Senhor Ninguém, talvez eu precise da ajuda de alguém além do senhor. Na verdade, já passou da hora.

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