Me desculpe, mas eu esqueci. Aqui estou eu, exatamente um ano depois, cometendo o mesmo erro novamente... Do que eu estou falando?
QUARTA-FEIRA, 19 DE NOVEMBRO DE 2014
Oi, Senhor Ninguém. Quanto tempo, não? Bom, o senhor sabe. Só venho até aqui quando as palavras e as lágrimas do coração se tornam insuficientes. E fazia tanto tempo, ainda bem... Eu só gostaria de dizer, que eu finalmente aprendi a guardar o sofrimento só pra mim. Mas acontece que, ao contrário do que eu imaginava, isso não foi o melhor pra mim. Eu explodi. E atingi pessoas a minha volta com a explosão, e me atingi mais ainda. Tranquei e acumulei gritos de socorro que eu necessitava ter libertado logo no início, mas que eu ignorei... E isso se voltou contra mim. E doeu. E está doendo. Tanto, tanto, tanto, que eu não consigo descrever. Talvez eu precise passar por isso, pra aprender - mais uma vez, a gente nunca deixa de precisar aprender. Talvez com isso eu nunca mais esqueça de não trancar nada em mim, nem eu mesma. Não esquecer de ser o que sou, fazer o que amo e o que me liberta. Não esquecer de sempre visitá-lo, Senhor Ninguém. De contar como estou, das alegrias e tristezas dessa vida. É preciso... Tira o peso da alma.
"Toda dor vira força", nunca me esqueço disso. Mas o que houve? Essa é uma conversa pra outra hora... Agora, eu só preciso - tentar - ser forte.
Disso. Eu esqueci e fiz tudo de novo, cometi o mesmo erro de guardar tudo para mim e explodi, atingindo pessoas à minha volta e à mim mesma. A verdade é que eu não aprendi nada, eu só achei que fosse aprender. Eu me tranquei de novo, me afundei e me afoguei dentro de mim mesma. Esqueci de fazer o que amo, o que me move, o que me motiva. Esqueci de visitá-lo, Senhor Ninguém... Me desculpe. Eu devo tanto à ti, por ler todas as minhas lamentações até hoje.
Eu preciso dar um jeito.

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