quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Mais um dia, e o amor...

O rosto da menina empalidece, seu coração pula, ela dá um passo para trás. O que poderia assustar tanto assim uma pobre menina? Claro que só o amor não correspondido de um amigo. Ah, quanto estrago uma declaração de amor faz. Como faz nosso coração parar por um segundo e separa as pessoas. O menino parado, espera alguma boa resposta, algo que preencha o seu coração, mas tudo o que ela pode fazer foi correr para sua sala de aula e se encostar na parede, se deixando levar pela gravidade até acabar sentada, espatifada no chão. O coração ainda desparado e ainda pálida, a menina olha para o teto e começa a pensar em tantas, mas tantas coisas. E o amado da menina? Isso não importava para esse maldito menino que acabou de se declarar? Ele não pensou no quanto ela estava feliz com seu amado, e no quanto ela era amada? Mas ela não podia fazer mais nada sobre aquele infeliz que a tinha no coração, a única coisa a fazer era agir como se nada tivesse acontecido. Mas e se seu amado descobrisse? Ele ainda iria a querer? E se seu amado não a quisesse de verdade? Imagina se os outros descobrissem? Caramba, o que os seus amigos pensariam disso? O que teria para o almoço?! Nesssa última pergunta em sua cabeça, a menina acordou de seu transe e resolveu fazer aquele idiota parar de amá-la. Ela sai da sala, olha para o lado e logo vê o menino encostado na parede e olhando para cima. Ela cutucou o e falou:
- "Você não pode me amar."
Então ele respondeu subitamente:
- "Porque?"
- "Porque eu sou tão podre e arruinada quanto você. Porque ninguém me amaria."
- "Então aquele magrela não te ama?"
A menina ficou com o rosto vermelho e se encheu de raiva daquele maldito que havia de dar uma de espertinho.
- "Ama."
- "Você não é tão podre e arruinada quanto ele?"
"Porque só gente irônica e chata gosta de mim?" pensa a menina. Ah, mas ela tinha de dar uma boa resposta para aquele merdinha sair do seu pé.
- "Não. Ele é um restaurador."
- "Restaurador?"
Nesse momento a menina pensou no porque seu amado a ama e no porque ela ama ele, e respondeu de um jeito bem mais grosso a genial idéia que apareceu em sua cabeça.
- "Ele restaura meu coração e faz minhas ruínas virarem algo bonito. Você é diferente, e acabaria me odiando de tanto que eu o faria sofrer, mas ele eu não faço sofrer porque ele entende."
- "Eu poderia entender também."
- "Não poderia não, você é tão estúpido que até repetiu de ano."
O menino fez uma cara de desgosto, e com os passos fortes, deu as costas e foi embora, deixando a menina parada com um sorriso que faria qualquer um querer odiá-la. De cabeça baixa, ele enchia seu peito de raiva, e ninguém viu ele derramar a última lágrima de amor por aquela menina.

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